Uma das atividades do Técnico em Segurança do Trabalho  é promover a conscientização e prevenção, esclarecer e registrar ocorrências referente a doenças do trabalho e doenças ocupacionais.

Tanto doenças ocupacionais como doenças do trabalho são consideradas acidentes do trabalho para fins previdenciarios e  trabalhistas e, esta fundamentação está na Lei 8213 de 24/07/1991, artigo 20, itens 1 e 2.

No post de hoje iremos esclarecer quais as diferenças existentes entre doenças ocupacionais e doenças do trabalho e quais são as doenças ocupacionais que mais afetam os trabalhadores.

Doença ocupacional ou doença do trabalho?

Essa é uma dúvida frequente na cabeça de funcionários, gestores, cipeiros e muitas vezes até dos profissionais de Segurança do Trabalho e, apesar de parecerem a mesma coisa, existem diferenças.

A Doença Ocupacional ou doença profissional, são enfermidades relacionadas diretamente pelo exercício do trabalho. Seu desenvolvimento ocorre pela prática do trabalho de uma atividade constante e específica, enquanto a Doença do Trabalho está ligada ao ambiente de trabalho e tem relação direta com o meio onde o trabalho é exercido. Um grande exemplo de doença de trabalho é o Saturnismo (intoxicação causada por chumbo). Diferente da doença ocupacional, a doença do trabalho não está relacionada as funções desempenhadas pelo trabalhador, mas ao local onde o mesmo é obrigado a trabalhar.

Principais doenças ocupacionais

Agora, que já sabemos diferenciar a doença ocupacional da doença do trabalho, vamos abordar quais são as principais as principais doenças ocupacionais, suas causas e a melhor maneira de preveni-las.

Asma Ocupacional:

A asma ocupacional é a doença respiratória mais frequente relacionada ao trabalho. É causada pela inalação de agentes tóxicos que irritam as vias respiratórias e causam alergias.

A asma ocupacional caracteriza-se pela obstrução e estreitamento das vias respiratórias por poeiras de substâncias como borracha, linho, madeira, algodão, couro e etc.

Esta doença ocupacional pode causar respiração com ruído, tosses, falta de ar, sensação de pressão torácica…

A prevenção da asma ocupacional depende da utilização contínua do Equipamento de Proteção Individual (EPI), e o tratamento do afastamento do trabalahador do agente causador da doença.

DORT  (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho)

Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), são provocados por posturas inadequadas contínuas.

O DORT é uma doença que ocorre no ambiente do trabalho, decorrente das condições inadequadas para a realização das atividades do trabalhador e, devido a sua lenta progressão, muitas vezes, a doença só é notada em estágio avançado. Quando não tratada adequadamente pode causar dores crônicas e levar à concessão de aposentaria por invalidez.

As formas de prevenção são:
Prática contante de atividades físicas para fortalecimento dos músculos e correção postural, além de adequações ergonômicas.

LER (Lesão por esforço repetitivo)

Quando falamos de doenças ocupacionais a LER é normalmente a primeira que vem a mente das pessoas.

A LER é uma doença profissional causada pelo exercício contínuo e repetitivo de determinado movimento que pode causar danos a músculos, tendões, nervos e ligamentos. Esta síndrome é constituída por um grupo de doenças como: tendinite, bursite, dedo em gatilho, mialgias, etc. Esse distúrbio causa inflamação e dor e reduz significativamente a capacidade do profissional para o trabalho, podendo levar à aposentadoria por invalidez.

Para evitar e prevenir a LER é importante que o trabalhador faça pausas durante suas atividades e adote a prática de ginástica laboral para o fortalecimento dos músculos e das articulações.

Diferença básica entre LER e DORT :

A LER não é desenvolvida necessariamente no ambiente de trabalho e pode ser causada por atividades esportivas, domésticas e até de lazer (como jogar videogame excessivamente), enquanto a DORT está relacionada exclusivamente ao dia a dia no trabalho.

EPI-Equipamento-Protecao-Individual

Dermatose Ocupacional:

A Dermatose Ocupacional carateriza-se por alterações na pele e na mucosa do trabalhador, decorrente da exposição a agentes nocivos. Esses agentes podem ser de natureza química, biológica ou física como graxa ou óleo mecânico, por exemplo.

O termo Dermatose Ocupacional engloba:

  • Dermatites de contato
  • Ulcerações
  • Infecções
  • Cânceres

O tratamento ocorre através do afastamento do trabalhador de suas habituais funções e do contato com os agentes nocivos.

Prevenção: Utilização contínua de EPI, exames periódicos e afastamento do fator irritante.

Surdez Temporária ou Definitiva:

Comum entre os trabalhadores expostos a ruídos continuados, a surdez pode ser definitiva ou temporária e, desenvolve-se devido a contínua e intensa exposição a ruídos.

A surdez é considerada uma doença ocupacional e não profissional, pois não é inerente a uma atividade específica. Isso ocorre porque, a surdez pode ser adquirida e desenvolvida por qualquer profissional que esteja exposto aos ruídos dentro da companhia, independente da função laboral.

Comum entre metalúrgicos, mineradores, trabalhadores de aeroporto e trabalhadores da construção civil, a perda da sensibilidade auditiva pode ser previnida com a ultilização do EPI – protetor auricular.

A surdez é uma doença silenciosa, que caracteriza-se pela perda progressiva da audição, quando não é corretamente tratada pode desgastar o ouvido de forma irreversível, e tornar-se definitiva.

Doenças da Visão:

Os problemas de saúde relacionados à visão afeta especialmente trabalhadores do período noturno como: médicos, enfermeiros, vigias, porteiros ou operadores de serviços 24 horas. Profissionais que atuam no período da noite estão mais propensos a desenvolver problemas na visão. Isso acontece por que o trabalho noturno desregula a produção hormonal, que aconteceria durante o sono.

A visão do trabalhador acaba sendo prejudicada em decorrência do esforço excessivo, o que pode gerar diversos problemas como: dificuldades para ler ou enxergar, dores de cabeça, visão embaçada, catarata, conjuntivite…

Para prevenir, é ideal que o profissional procure um oftalmologista quando perceber que está fazendo um esforço além do normal para ler ou enxergar.

Outro fator que pode ocasionar doenças da visão é que os olhos são vulneráveis a muitos riscos presentes no ambiente do trabalho como:
agentes físicos, mecânicos, químicos, biológicos, etc, nestes casos a proteção dos olhos é fundamental em determinadas funções.

Para trabalhadores que manejam solda, vidro, produtos químicos, madeira, aço, materiais biológicos, radiação ultravioleta… a utlização dos óculos de proteção (óculos de segurança), é um fator crucial de extrema importância.

Doenças Ocupacionais Psicossociais:

As constantes pressões sofridas pelos trabalhadores para alcançar  metas ou reduzir custos, podem gerar uma série de problemas de ordem emocional – estresse, depressão, ataques de ansiedade ou pânico. Estes problemas, podem ser causados por pressão psicológica,  excessivas cargas de horários, medo de sofrer quedas salariais ou a perda do cargo, desentendimentos, baixas chances de ascenção na carreira ou desmotivação.

As doenças ocupacionais psicossociais são perigosas por não serem encaradas com a seriedade necessária, podendo se tornar irreveresíveis afastando definitivamente o colaborador das suas atividades laborais.

Prevenção: promoção de condições propicias à saúde,  motivação dos colaboradores e valorização da mão de obra.

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As doenças ocupacionais mencionadas acima, assim como outras condições comportamentais, físicas e psicológicas são decorrentes de situações inadequadas do ambiente de trabalho. Cada uma das doenças citadas neste post podem ser prevenidas, permitindo equipes de trabalho saudáveis e produtivas.

Promover ações de conscientização e atentar-se aos sinais de desconforto físico ou mental dos profissionais é um dos primeiros passos passos para evitar as doenças ocupacionais, assim como a conscientização dos trabalhadores e empregadores quanto a importância do uso do EPI – Equipamento de Proteção Individual.

 

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Escrito por Equipe Editorial ESSA

1 comentário

  1. Everaldo Gomes da Silva 15 de maio de 2018 às 7:22 AM

    Muito bom esses esclarecimentos, embora seja obrigação das empresas, muitas se omitem em passar as devidas informações aos seus funcionários.

    Responder

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