Com a crise que afeta o país, os índices de desemprego se tornaram alarmantes. E, com o desespero para conseguir uma colocação no mercado de trabalho, uma chuva de currículos chegam todos os dias nos recursos humanos das empresas, dentre eles, vários com pequenas mentiras para se destacar dentre os milhares de outros.

 

Um comportamento comum entre essas pessoas é “embelezar” ou “envaidecer” aptidões e experiências profissionais passadas, no intuito de disfarçar possíveis fraquezas. Dados falsos ou demasiados nos currículos são perigosos, tanto para o candidato, que acaba sendo descoberto e eliminado do processo seletivo, como para as organizações, que aumentam o tempo dos processos seletivos, gerando mais custos.

Neste mês, casos como estes aconteceram no interior de São Paulo. Em Campinas e Hortolândia, funcionários que utilizaram de falsos certificados de conclusão do ensino médio, foram demitidos por justa causa. Eles tentaram recorrer judicialmente, mas sem sucesso.

Na cidade de Campinas, a 93km da capital, um operário foi desligado por justa causa, após dez anos de trabalho em uma empresa automotiva. O motivo: o setor de recursos humanos dessa organização descobriu que seu atestado de conclusão era falso.
Profissionais do ramo jurídico apontam essa conduta como gravíssima, pois configura improbidade administrativa.

Já em Hortolândia, a 109 km da capital, ao menos cinco operários foram desligados por justa causa pelo uso de certificados fraudados. Um desses envolveu um soldador, que foi denunciado de forma anônima, e a denúncia, confirmada após sindicância interna. Desligado por justa causa, o soldador tentou recorrer, mas sem êxito.
A Juíza Fernanda Constantino, responsável pelo julgamento do caso, negou as recorrências do operário em questão, e destacou que a mentira na hora da contratação pode ser caracterizada como crime pelo Código Penal,  pois a organização em questão, não o teria contratado caso soubessem a verdade. Na sentença, a magistrada ainda afirmou que a confiança entre empregado e empregador é de máxima importância para a relação de trabalho.

A advogada Camila Nunes Amaral ainda fundamenta dizendo, “ No caso dos cinco funcionários que foram demitidos por justa causa por terem mentido nos currículos sobre a conclusão do ensino médio, houve quebra de confiança entre empregador e empregado, o que é muito grave. Eu entendo que a decisão dos juízes nesse caso foi reflexo da reforma trabalhista. Hoje os juízes estão cada vez mais pró-justiça, e não somente pró-trabalhador. Devemos sempre manter um vínculo de honestidade para não ter problemas maiores e não abarrotar o judiciário para sanar essas infrações”.

 

As mentiras mais habituais em currículos são:

Cursos:
É habitual citar cursos ou especializações realizadas dentro das empresas onde já trabalharam, porém quando os recrutadores entram em contato com as empresas relacionadas, notam que não foi exatamente assim.

Idiomas:
Os candidatos compreendem que ter uma língua estrangeira no currículo é essencial para serem chamados para processos seletivos, mas, um simples teste oral na hora da entrevista ou nos primeiros meses de trabalho podem revelar a verdade.

Formação:
É comum também colocar cursos técnicos, graduações e pós graduações concluídas, quando na verdade os cursos ainda estão em andamento ou foram trancados.

Falsificações:
O que não é muito comum, mas acontece também é a falsificação de diplomas, mas quando as informações são checadas com as instituições de ensino, a mentira aparece.

Referências pessoais e profissionais:
Elas servem para confirmar a veracidade das competências citadas pelo candidato mas, geralmente essas referências não são precisas. As empresas podem entrar em contato com o RH das empresas mencionadas ou pesquisar dados em sites como o Linkedin.

Competências e período:
É unanime entre recrutadores olhar quanto tempo o candidato permaneceu em uma determinada empresa para saber se trata-se de um profissional problemático ou com bom relacionamento.

Salários:
Os candidatos precisam entender que o currículo funciona de forma cronológica, e leva o histórico da vida profissional, não adianta mentir o valor da remuneração caso não conste na carteira de trabalho. É comum, os recrutadores durante a entrevista, pedir a CTPS para o entrevistado, para uma comparação de dados.

Idade, filhos e estado civil:
Em determinadas vagas, a demanda de disponibilidade para viagens nacionais e internacionais priorizam determinados tipos de perfil. É comum candidatos tentarem mentir sobre esse tipo de dados também, mas isso é facilmente desmentido quando for requerido o tempo para deslocamento ou horas extras e o colaborador não conseguir atender.

 

Se você fez um bom curso, guarde o diploma, se ele é antigo, procure saber onde poderá obter um comprovante dele. Ter um currículo bom e organizado é como ter um passaporte atualizado, a gente nunca sabe quando vai aparecer uma oportunidade ou viagem.

 

Escrito por Equipe Editorial ESSA

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